Manifesto dos figurinistas


Manifesto dos figurinistas: (Uma declaração de Propósitos e Ética para Figurinistas)

“Sou um figurinista, faço roupas para pessoas imaginárias” Celestine Ranney, 1982

I. Quando eu faço uma peça de figurino, não sou um estilista nem um costureiro, mas um construtor de personalidade, conceito e movimento físico.

II. Eu, acima de tudo, trabalho com Atores: eu os ajudo a construir seus personagens por fora, para que sejam desenvolvidos, na verdade, de seus íntimos. Eu não reclamo sobre a forma de seus corpos. Eu crio a forma que precisamos, e/ou construo uma representação virtual do personagem que serve no corpo existente. Eu estou ciente de seus movimentos e os facilito.

III. Eu trabalho guiado por Diretores: Eu os ajudo a representar visualmente suas idéias conceituais e formas físicas. Eu crio roupas para os habitantes do mundo que eles visualizam.

IV. Eu sou inspirado pelas palavras de Dramaturgos e Roteiristas: Eu tento trazer à vida o script transformando as palavras do texto em metáforas visuais. Palavras, especialmente poesia, precisam de um visual equivalente que apóie o clima do script sem se distrair dele.

V. Eu colaboro com os outros designers, procurando trazer juntos uma visão coletiva para funcionar em harmonia. Figurinos não existem num vácuo, mas num set, entre cenários e mobiliário, som e luz, como parte de uma representação visual consistente de um mundo inventado.

VI. Independentemente se estou na posição de costureiro, cortador, tintureiro, artesão ou designer, eu lembro que o que estou fazendo é contribuir pra a totalidade da produção, e tem que ser feito com um senso estético em consonância com o desempenho, não apenas por meus próprios caprichos. Figurinistas, portanto, precisam comunicar a idéia do programa para todos os outros criadores envolvidos no processo tão claramente quanto possível, para que quando decisões sejam tomadas a qualquer nível do processo, de botões à alcochoamentos, eles reflitam as necessidades do programa ou filme como um todo.

VII. Eu ajudo a Audiência a entender a história e os personagens. Em performances onde o espetáculo é requisito, eu faço os figurinos surpreender e divertir, mas quando a audiência precisa estar mais ciente de outros elementos da performance, eu tentarei fazer os figurinos ficarem em segundo plano, sem vaidades pessoais.

VIII. Eu estudo a história de moda e vestuário, não importa minha posição num estúdio, para que eu possa melhor aplicar os estilos das vestimentas do passado, quando necessário. No entanto, eu irei lembrar de evitar negligentemente copiar velhos modelos; ao invés, manter em mente os elementos-chave de caráter e conceito, e selecionar ou adaptar esses moldes para servir à produção individual.

IX. Eu estou ciente que meu trabalho consiste, primordialmente, de adaptação e reinvenção de estilos pré-existentes para um propósito funcional: cobrir um corpo. Eu sei então que o que construo não é legalmente sujeito às leis de direitos autorais, e eu não vou reclamar e choramingar se outro designer estiver inspirado a reusar elementos, mesmo a maioria de elementos, de uma de minhas criações em seus trabalhos. Eu irei aceitar isso como lisonja, se alguém o fizer.

X. Figurinismo é uma profissão divertida, e eu me empenho o tempo todo para manter isso, considerando os sentimentos de todos os meus colaboradores. Em momento algum um ator deve sentir que seus corpos então sendo criticados em uma montagem, nem deve um estudante – trabalhador ou voluntário – ser tratado como escravo, nem deve um diretor ou outro designer ser levado à tomar uma decisão que não quer. Um desejo por excelência é bom, mas o desejo não deve nunca ser perseguido em qualquer grau que ignore a legislação trabalhista, a cortesia comum ou a colaboração civilizada.

Tara Maginnis, 8/18/2002
Retirado do site Costumes.org

Não é à toa que, a maioria dos filmes que eu vi e adorei, senti vontade de copiar algumas roupas dos personagens. Filmes bem ambientados, do cenário ao figurino, traduzem o espírito da história e do próprio personagem de forma que o espectador absorva o clima passado pelo roteiro. É bem semelhante ao processo de criação de roupas, onde o estilista cria um contexto que, sendo bem expresso através das cores, tecidos, cortes, dobras, etc, faz com que as pessoas desejem aquela peça; como se adquirindo aquela roupa, possam viver aquela ‘vida’ representada ali.

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